Conversava semana passada com meus amigos d’ O Bigode do Meu Tio sobre se no Brasil tivemos algo como um “Folk” brasileiro, se tivemos no Brasil algo como os jovens norte-americanos e ingleses dos anos 1960/70 fizeram com sua música popular do século XIX e primeira metade do século XX. Digo o tipo de apropriação e transposição musical do country ou do blue grass, ou ainda da música escocesa que vemos em gente tão diferente como Bob Dylan, Simon & Garfunkel, Jethro Tull, Pentangle, Donovan ou Fairport Convention.
Eu diria que, durante um tempo, nos anos 1970, vários compositores brasileiros tentaram algo parecido. Nesta década de 1970 que chegou mais tarde, musicalmente, em nosso país, segundo o sempre essencial Antônio Bivar, teve alguns lançamentos que apontavam para um entrecruzamento de música popular “de raiz” de várias partes do Brasil, notadamente do Mato Grosso, do interior de São Paulo, de Minas Gerais, Pernambuco, Ceará. Penso em nomes como o trio Sá, Guarabyra & Zé Rodrix, cantores como Renato Teixeira, Ednardo, Alceu Valença, Zé Ramalho, Amelinha e Almir Sater.
Hoje destaco uma das mais belas músicas que compositores dos anos 1970 deixaram no cancioneiro brasileiro. Os grandes Fagner e Belchior juntos, em uma gravação de 1977, do projeto Soro, que Fagner realizou com vários artistas.
https://www.youtube.com/watch?v=4yeitTxbvyE
Interessante a ocorrência de intertextalidade na música. Os dois primeiros versos da canção foram adaptados do poema “A cruz da Estrada“, do poeta romântico brasileiro Castro Alves, e algo da forte melancolia do poema, que trata da sepultura de um escravo e da irônica e triste conquista da liberdade pela morte é vertida para a música, mas agora tratando, possivelmente, do sertão cearense do século XX.
Se souberem mais sobre esta música, por favor, comentem.
Independente disto, fiquem com a beleza desta canção!!!
Renato, passa no http://brasildedentro.blogspot.com e terás um belo painel de nossa música de raiz. Vale a visita, tem por lá Elomar, Xangai, Armorial, Quinteto da Paraíba, Dani Lasalvia, o Quinteto Violado e tantas outras mesclas inclusive portugueses. Abraço.
Salve, sumano! Já fui, já aderi, divulgo ainda hoje! Égua do inventário musical! Perfeito!
Muito obrigado pela sugestão, excelente! Valeu mesmo!!